Capítulo VII
Em 16 de setembro de 1979 aconteceu a inauguração da Casa do Choro de Belém, criada por Aldemir Ferreira da Silva — nome correto do fundador, grande chorão e boêmio. Era uma casa simples, próxima ao Rancho, onde se hospedavam músicos do Rio de Janeiro e de outros lugares. Adamor fez um enorme sacrifício para estar presente — veio de táxi aéreo e voltou de barco para Anajás. Naquelas noites da Casa do Choro conheceu Nelson Cavaquinho e músicos do Projeto Pixinguinha. Numa delas tocou com Rafael Rabello, ainda muito jovem.
"Aquilo foi uma felicidade enorme para mim. Mesmo chegando cansado depois de três dias de viagem de volta, todo o sacrifício valeu a pena."
Em 1979, já morando definitivamente em Belém, ingressou no Grupo Gente de Choro ao lado de Gersino Pacheco, Gilson Rodrigues, Everaldo Pinheiro, Gerardo Maia, Laureano Amaral e Paulo do Pandeiro. No início dos anos 1980 conheceu os chorões emergentes: Iuri Guedelha, Benjamim, Josimar Monteiro e Emílio Menineá.
Em 1983, Aldemir Ferreira da Silva morreu. Foi uma perda enorme para o choro paraense. Mas Adamor não parou. Integrou os grupos Novo Som, Sol Nascente, Manga Verde, Oficina e o folclórico Urubu do Ver-o-Peso, sem jamais largar sua identidade de chorão.
"O choro não é um gênero, é um estado de espírito. Existe choro triste, existe choro safado. Depende de como eu me sinto naquele momento."