Capítulo XII
O CD Lágrimas da Minha Ilha, lançado em 19 de maio de 2015, foi dedicado ao padre Giovanni Gallo — pesquisador italiano que veio da Itália, passou pelo sul e pelo nordeste do Brasil, chegou ao Marajó e se apaixonou. Dormia na mata, comia o que os vaqueiros comiam, ficava meses no interior pesquisando. A Igreja reclamava. Ele deixou o sacerdócio e se dedicou exclusivamente à pesquisa. Criou o Museu do Marajó em Cachoeira do Arari.
"Acho que ele fez pelo Marajó e pela cultura marajoara o que nós mesmos, marajoaras e paraenses, não fizemos."
O disco veio com 13 faixas e patrocínio da Natura. Trouxe como convidado especial Sebastião Tapajós, um dos maiores violonistas do Brasil. Adamor tinha 72 anos e mais de 54 de carreira.
Antes do lançamento, mostrou "Lágrimas da Minha Ilha" aos amigos de Mosqueiro. A Escola de Samba Piratas da Ilha resolveu fazer o enredo do Carnaval 2015 em sua homenagem: "Nas Cordas do Bandolim de Adamor, a Força do Chorinho Brasileiro." Adamor foi à avenida.
Universidade do Samba Piratas da Ilha — USPI · Carnaval 2015
NAS CORDAS DO BANDOLIM DE ADAMOR,
A FORÇA DO CHORINHO BRASILEIRO
Compositor: Jorge do Cavaco · Intérpretes: Carlinho do Samba, Dimas Junior, Denilson Machado e Plínio da Paz
Sou vermelho e branco, eu sou
Canto o talento do Adamor
Que fez da música sua paixão
Do choro sua doutrina e religião
Refrão
Piratas com a luz e o brilho das estrelas
Traz no coração toda a emoção
Dos acordes de um bandolim
Meu samba vem pedir passagem
Aos chorões faz homenagem
Ao som de primas e bordões
Da mistura de outras culturas
Chegou ao Brasil, vindo de outros continentes
Da Europa, a valsa e a polca
Dos grandes bailes de salões
Da África, com os tambores africanos
Surgiu o xolo no período colonial
Vindo de terreno das fazendas, aqui ficou
Prá ser tocado pelos nossos regionais
Choro, chorinho pros chorões
Nosso maior gênero musical
Chiquinha, doce Flor Amorosa
Das Noites Cariocas de Jacob do Bandolim
Pixinguinha, tu és Carinhoso
Com o Brasileirinho do Waldir
Refrão
Nosso gênio criador,
Na arte de compor, vem do Marajó
Lágrimas da Minha Ilha, Choro Caboclo
Tem jeito marajoara
Com Gente de Choro, nas mãos, a arte musical
Suas obras ficarão na história
O tempo não apagará
Mestre Adamor, tu serás imortal.
"Chorei muito na avenida. Não por ver meu nome, mas por ver um pouco da história do choro contada numa singela ilha paraense. A minha alegria era pela divulgação do choro, pela história, pela luta."